terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ciclo do Rancor

À noite,
Quando alguns fogem do sono,
À procura de dentes à mostra,
Eu faço o mesmo.

À procura de ambrosia
Para minha alma,
Busco-a na minha solidão;
Esta que exala o leve e azedo odor
Da tristeza revestida
De rancores passados.

É passado...

Mas deixaram o que as borboletas
Deixam nas mais belas flores,
Porém em meu coração.
A promessa dessa nova paixão,
Que quebrou a velha promessa:
De não me deixar
Ser curado pelas asas de um inseto,
Que só é belo depois de larva,
Só amor depois de raiva.

O Caso do Ébrio

Esvaziou aquela garrafa
Como se fizesse algum bem.
Para ele, até que o acalmava,
Porém só momentaneamente.
Atrapalhava a todos,
Com sua voz, cantos e arrotos,
Arrastada e onipresente.
Expulsaram-no do bar,
E carregou consigo,
Injúrias: devedor-inquilino
Daquele seu ex-lar.
Chegou a sua casa e chorou;
Sozinho como estava,
O boteco era sua morada!
Pegou seu cinto e se enforcou.

Trêmula Quiromancia

Esses goles não anularão
Esta vontade de alegria.
Porque só paralisam
O aumento da tristeza.

Estes cigarros; maravilhoso pulmão!
Tampouco tranqüilizam a angústia.
Pois só fazem dela inferior à asma.

Por fim, estes versos,
Não calam os gritos da mente.
Porque esta só pensa nela,
Nestes momentos de solidão.

Brinde aos Ébrios

Uma explicação sobre minha negligência
Insuportável de amante,
É essa sobriedade alucinante
Que faz meus pensamentos em demência
Rodearem a Conterrânea.

Não sei se queria ser sóbrio;
A lucidez e excesso de razão
Me fazem irritante.

Do outro lado do mundo sério,
Embora ainda pareça um mistério,
Sou todo corpo: mais ação.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Pouco de Praia Seca

Ouve-se ao longe uma batida de funk;
Sobrepõe-se ao barulho das ondas,
Quando calmas.
A maresia só incomoda no inverno,
Se ficarmos nus;
Quando não, cabelos ao vento.
Isso tudo à noite,
Após passar o dia admirando
As ondas, das pessoas, do oceano.
Dourando a pele na areia, ao sol,
No calor da tranqüilidade daquele lugar,
Refrescando com cervejas ou cocos.
A paisagem das salinas
Remete a um passado próspero.
Hoje, aquela nostalgia é tombada,
Aliás, parte dela, a outra é loteada.
No nome uma característica;
Ora irônica, ora realista.
O mar e a lagoa,
O cerrado e as extintas dunas.

Uma Tarde

Numa tarde ensolarada;
Apenas uma sexta-feira.
Aquela que precede a loucura
Dos fins de semanas e dos amores.

Algumas cervejas, outras poesia;
Nada mais inspirador.

Uma criança brinca neste parque,
Enquanto o sol amorna as minhas costas.
E eu penso nela.
A Conterrânea que me extrai
Os sorrisos de que me esqueci,
A altivez que enterrei
E a alegria que jurei
Nunca mais procurar,
Para que eu não pudesse perdê-la.

É esta tarde que acalma,
Ou a tristeza que relevo?

terça-feira, 31 de julho de 2007

O filósofo em seu trono

Pensativo; e sempre nessa situação.
O suor da bunda de alguém,
Encostando melosamente na minha.

Esqueci de limpar a latrina
Antes de cagar no público,
Ou melhor,
De limpar a privada pública
Antes de cagar.

Juro que não sou tão bundocêntrico,
Também pensei que a crise aérea
Já estivesse normalizada,
E que minha aluna tinha bafo ruim,
Mas estava muito bonita.
Ah! Meu papagaio podia falar: Porra!

Ops! Senti uma gota
Caindo para cima.
Este poema termina aqui.
Tenho algo importante a fazer.

Moral: Pensar e agir.